Um dia tranquilo

Publicado: julho 12, 2010 em Conscientização, Ser humano, Sobre a vida

Um dia aparentemente tranquilo.
Um dia normal, as pessoas indo trabalhar. Uns acordando ainda, outros já sentados em suas cadeiras à estudar.
A banquinha de jornal em seu movimento intenso, cada um que passasse e comprasse seu jornal ou simplesmente parasse e lesse um trecho que se destacava na bancada.
A padaria movimentada como sempre, cada um tomando o seu primeiro cafezinho do dia.
E ali estava Carlos, em uma padaria de esquina, tomando o seu café.
Como aparentava seria realmente apenas mais um dia.
Carlos na hora de pagar  o café, puxa a carteira do bolso, e observa que o dinheiro que ele colocara na carteira , ali não mais estava.
Ele tinha certeza que tinha colocado o dinheiro na carteira. Por um momento preocupou-se pois era uma quantia considerável, mas pensou na possibilidade de não ter colocado na carteira e de estar em sua cômoda, em sua casa. E não havia tanto problema, afinal ele morava do outro lado da rua, apenas teria que voltar em casa e pegar algum trocado para pagar o seu cafezinho. O dono da padaria vendo a situação pouco comum, mas conhecendo Carlos por todo dia ali estar, diz que ele poderia pagar amanhã , que não se preocupasse. Mas ele realmente precisa voltar , pois precisava do dinheiro não só para pagar  o café , como para alguma eventualidade que ocorresse em seu “longo” dia. E assim agradece o dono da padaria e diz que em estantes voltaria para pagar.
Carlos se fosse trabalhar nem precisaria atravessar novamente a rua para seu apartamento apenas seguiria pela calçada que já estava  pois o edifício de seu trabalho situava-se no mesmo lado da padaria. Uma caminhada diária que ele fazia de pouco mais de 1km para chegar em seu trabalho. 
Mas assim necessitando voltar em casa, para diante do sinal e espera que ele feche para que assim possa atravessar “tranquilamente”.
Em pouco menos de um minuto esperado, o sinal fica vermelho, e os carros param.
Carlos atravessa a rua, sem se preocupar, afinal o sinal estava fechado, ergue a cabeça que estava abaixada e assim segue sozinho atravessando a rua.
Dados poucos passos,  pode-se ouvir o som do frear de pneus. Sim o sinal estava fechado, mas nem todos os carros ,  melhor dizendo, nem todas as pessoas aprenderam a distinguir as cores , verde, amarelo e vermelho, tampouco o seu significado no transito.  O carro vinha em uma velocidade que não pode ser contida e reduzida em tempo. Carlos teve cerca de 4 segundos entre  ouvir o som e olhar para o carro que vinha em sua direção. O incrível é que o tempo fôra tão pequeno, mas que pode ser passada toda sua vida nesses 4 segundos. Imóvel. Acredito que nada poderia ser sentido em tão pouco tempo, nem medo , nem desespero, nem nada, ele simplesmente fechou os olhos e imóvel pode sentir a tinta do carro encostar em sua calça, e nada mais.
Sua esposa estava arrumando as crianças que iriam em instantes serem levadas à escola.
Ana, assim se chamava sua esposa. Ana pegou seu celular preocupada com seu marido por não ter avisado, que pegara o dinheiro de sua carteira para pagar o colégio das meninas, tendo esquecido de avisa-lo, agora sim toma a ligar, para o despreocupar.
E assim “comessaria” mais um dia tranquilo.

Na vida , existem várias oportunidades, vários caminhos, muitos nós escolhemos, muitos nós os traçamos.
Mas por vezes nos deparamos como certas situações em que nos perguntamos  o porque de estar à passar…
Se assim ” não fizermos por merecer” , se assim não escolhemos.
Muitos, simplesmente denominam como sendo o “destino”, que tinha que acontecer, porque simplesmente; Tinha que acontecer.
Ou mais simples ainda, sendo a vontade de Deus, afinal tudo acontece apenas com a permissão de Deus.
Nunca nos pomos a pensar que se passamos por tudo que passamos é porque verdadeiramente nós temos que passar, não por simplesmente ter acontecido. Mas sendo uma necessidade, que trará com certeza algum aprendizado, não sendo possível de ser visualizado no momento.
Assim  tudo que acontece tem um propósito. Nada é simplesmente por acaso, pois o acaso por si só , não existe.
A compreeção em forma de alívio da perda de um ente querido, o entendimento de tragédias como essa somente se fará, quando  verdadeiramente acreditarmos que todos somos seres imortais, e que quando “morrermos” estaramos à nascer. Passaremos assim a encarar a morte de uma outra forma. Busquemos enquanto vivos, estar a fazer e edificar o que transcenderá o nosso corpo. Assim edificando o que permanecerá em nosso espírito.

Viana Patricio

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